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11 de Maio de 2021

Advocacia humanizada

Marcia Bentes, Advogado
Publicado por Marcia Bentes
mês passado
“Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido.”
(Charles Chaplin).

Ainda persiste a ideia que a advocacia trata de pessoas e questões de forma puramente legal que, de tão racional, beira a frieza de sentimentos.

Porém, a contemporaneidade traz em seu bojo a desconstrução desse “padrão” de que os operadores do direito são apenas máquinas de produzir, uma mera engrenagem jurídica, surgindo o que se chama de “advocacia humanizada”.

O operador do direito no contexto humanizado se preocupa com os problemas reais, demonstrando ao cliente que a dificuldade a ser resolvida juridicamente importa e, que através de sua atuação há também um envolvimento emocional e comprometimento na busca da solução que satisfaça de forma correta e justa suas pretensões. Sempre mostrando que, do outro lado também existem outras pessoas e outros anseios. Daí a importância de uma conversa e diálogo de forma transparente, franco e honesto. Estes requisitos são essenciais para que exista uma troca humanizada na hora do atendimento, na verdade, um acolhimento.

Parece paradoxal, mas, no entanto, não é que, em tempos de globalização, em que as tecnologias de produção e consumo ocorrem em massa, as pessoas queiram que sua individualidade seja percebida. Nada mais conexo que o humano se socorra nas próprias relações entre os seus semelhantes no sentir o olhar e nas feições e na atenção do outro. Tudo isso são elementos básicos da própria natureza humana e por esta determinada.

A sociabilidade nos impõe um contato e interação humanas onde, a paciência e a compreensão regram a qualidade do indivíduo e não na quantidade. Quantidade esta dispensável em um momento de dissabor ou de pressão na resolução de um conflito.

Quando há humanização na relação com os demais aí sim temos seres sociais e humanos por inteiros. Fora desse contexto não se passa de meros operadores arrogantes.

Márcia Nogueira Bentes Corrêa

Advogada OAB/PA 10.454

10 Comentários

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Na minha experiência de mais de 20 anos posso dizer que a advocacia sempre foi humanizada. O nosso contato com o nosso cliente é coração, é fígado, é bile e estômago. Todos os órgãos e sentimentos estão ali. Fervorosamente defendemos os interesses de nossos clientes, a custa de muito suor e lágrimas.

Quem desumaniza a advocacia são os advogados que foram engolidos pelo mundo corporativo e, acima de tudo, pelo coletivismo. Tudo quanto é coletivo é desumano. O ser humano, cada ser humano é único em essência e alma. Todos são insubstituíveis. Ao morrer (destino a todos reservado, com ou sem pandemia), cada um fará falta. Fará falta aos filhos, aos pais, aos amigos, aos empregados (se tiver sido um bom patrão, é claro), aos empregadores (se tiver sido um bom empregado) e por aí vai.

O único paradoxo nessa história é que esses profissionais que defendem as causas corporativas e as causas "coletivas" são aqueles que não representam ninguém. Daí a desumanidade da coisa toda. E, nesse contexto paradoxal, quem defende mil vale menos de quem defende um. Porque o "um" é o indivíduo, e cada indivíduo sobre a face da Terra, somado em números absolutos faz parte de uma maioria esmagadora em face de qualquer "coletividade" opressora.

Seremos julgados no juízo final, um por um. Somos todos um. E isso é ser humano. Isso é que é humanidade. A advocacia é humana. Mas nem todos advogados o são, pois nem todos defendem humanos. Defendem apenas ideias. Coisas. Um ajuntamento de seres sem personalidade física (embora detenham personalidade jurídica).

E não, não estou falando daqueles que defendem a pessoa jurídica do mercadinho da esquina ou da creche do bairro. Pois sabemos que por trás, a relação com o dono, com o "representante legal" desse "CNPJ", em nada difere da defesa dos interesses de uma pessoa física. Existe um ser humano palpável por trás. E sua relação com seu advogado é altamente humana.

O problema é a desumanização da advocacia dessas corporações e órgãos de "representatividade" que não representam ninguém além de uns poucos totalmente desconectados com a realidade e necessidades de seus representados. Nesse caso, seria bom que tais advogados se conscientizassem que do outro lado há um ser humano. Que mesmo em polo oposto deve ser respeitado e levado em consideração. Mas isso é difícil, porque esbarra no dever de "defender os interesses do cliente".

E é esse o grande desafio. Respeitar o ser humano do outro lado, sem no entanto, negligenciar os interesses da "coisa" que defende. continuar lendo

Verdade incontestável Dra. Márcia.
Abr e parabéns. Didático e limpo. continuar lendo

Dr. Tony, comungamos de algumas ideias políticas.sigamos na luta! Obrigada! continuar lendo

Excelente artigo.Parabens. continuar lendo

Muito obrigada Fábio! Futuro colega advogado! continuar lendo

Excelente artigo, parabéns continuar lendo